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Dando continuidade ao raio-X da ruína institucional que corroe a República, a aguardada sessão de hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) entregou ao país um roteiro trágico, previsível e melancólico. Prometida como o momento decisivo em que a Corte analisaria se abriria investigação para apurar graves denúncias de corrupção contra o ministro Alexandre
de Moraes, a reunião plenária converteu-se em um ato de escancarado malabarismo corporativo. Em nenhum momento do debate o objeto principal da pauta foi de fato tocado ou enfrentado.
A ala da Suprema Corte empenhada em blindar o magistrado articulou uma manobra perfeita de desvio de foco. Sob agressões, discursos evasivos e manobras regimentais, a sessão esvaziou-se, soterrando qualquer chance de apuração isenta. O resultado final não surpreende, mas estarrece pela desfaçatez: tudo terminou em pizza, selando um dos episódios mais tristes de desrespeito à sociedade brasileira.
A Arte da Blindagem: O Objeto Esquecido na Mesa
A expectativa do cidadão comum era a de que o tribunal de topo da República demonstrasse maturidade institucional para exercer o básico: o autocontrole e a transparência. No entanto, o que se assistiu ao longo de toda a sessão de hoje foi o esquecimento proposital da causa principal.
O enredo das denúncias contra Alexandre de Moraes foi simplesmente ignorado no plenário. A ala defensora do ministro acionou um escudo de proteção corporativa que priorizou a autopreservação dos pares em detrimento da apuração dos fatos. Ao encobrir as acusações e se recusar a enfrentar o mérito, a Corte deixou claro que a régua da lei que vale para a população não alcança os gabinetes do topo do Judiciário.
Ao apagar das luzes do plenário, o sentimento que sobrou nos corredores de Brasília e na casa do cidadão brasileiro foi o de completa perplexidade. O arquivamento velado e a recusa em investigar transformaram a promessa de justiça em uma pizza amarga, servida em pratos de porcelana na capital federal.
O Final Triste e Melancólico da Suprema Corte O desfecho da sessão de hoje marca um ponto de fragilidade para a autoridade moral do STF. A instituição que deveria figurar como a guardiã máxima da Constituição consolida, aos olhos do país, o papel de tribunal intocável.
Mais do que uma decisão processual, a postura adotada ratifica de forma dolorosa a alegoria orwelliana ao blindar um dos seus e sufocar o debate do qual deveria prestar contas, o STF reforçou a máxima de A Revolução dos Bichos: a elite encastelada no poder legislou em causa própria para decretar que, perante a lei, "alguns são mais iguais do que os outros".
Ao virar as costas para a transparência e zombar do povo brasileiro, a Corte, rendida a uma ala descompromissada com a verdade e a transparência, fecha este capítulo com uma assinatura melancólica. O desrespeito à sociedade foi consumado; a pizza foi servida; e a confiança nas instituições brasileiras afunda mais um metro no mar de degradação da República.